Shakhtar sobra no primeiro tempo e Real Madrid perde em casa na abertura da Champions League

 Depois de um primeiro tempo ruim, tomando 0 a 3 em casa, a equipe merengue não conseguiu se recuperar na segunda etapa, apesar dos dois tentos marcados

(Foto: Site oficial do Real Madrid)


O Real Madrid, maior campeão europeu, iniciou sua caminhada na temporada 2020/2021 da UEFA Champions League com uma derrota amarga. No estádio Alfredo Di Stéfano a equipe comandada por Zidane viu o Shakhtar Donetsk abrir 3 a 0, gols de Tetê, Varane contra e do jovem Solomon, ainda no primeiro tempo. Depois do intervalo Zidane colocou imediatamente Benzema, que havia começado no banco de reservas, na equipe. Ao longo do segundo tempo Vini Jr também entrou e com apenas 14 segundos em campo marcou o segundo gol do Madrid aos 14 minutos da etapa final. Isso porque antes disso, aos 9, Luka Modric havia feito um verdadeiro golaço. Mas parou por ai. Derrota em casa na estreia. 

Uma aula de como se joga contra um gigante

Zidane mandou a campo um Real Madrid bem modificado. E isso teve efeito direto no que se viu em campo. O técnico francês optou por colocar Mendy na lateral direita, improvisado, e começar com um ataque sem seu principal nome, Benzema deu lugar a Jovic. O sérvio quase não tocou na bola na primeira etapa e não teve nenhum grande destaque. Marcelo foi o escolhido para atuar na esquerda e Rodrygo o ponta para jogar por aquele corredor. Já Asensio jogou com mais liberdade podendo flutuar pelo meio e ataque, se aproximando de Jovic em alguns momentos, mas ainda sim apoiando Mendy. Modric, Casemiro e Valverde completaram o time junto a Varane e Militão na defesa.

O meio campo madrilenho pouco conseguiu criar na primeira etapa. Contra uma equipe taticamente bem postada, compacta, o time de Madrid sofreu para infiltrar, exagerando em lançamentos que não alcançavam os jogadores em progressão e não lançando quando havia alguém em boas condições. Também não houve quebra de linhas com toques rápidos, um drible que desconcertasse a defesa ou movimentações e aproximação para buscar gerar espaços. No primeiro tempo o Real não ameaçou, com efetividade o Shakhtar

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

Na imagem podemos ter uma boa noção de como o Shakhtar esteve compacto e bem em sua estrutura de jogo. O desenho tático bem definido em um 4-1-4-1 mostra que o time sabia que o que fazer sem a bola, na fase defensiva, e que fechava todas as linhas de passe do Real, por isso o time merengue precisava de movimentações e de jogadores que se colocassem entre as linhas para receber. Com as linhas altas, o time ucraniano podia ser atacado por cima ou por viradas rápidas de jogo, em lançamentos para infiltração de jogadores, o que o Real bem tentou, mas não foi eficiente. Reparem como o Asensio está livre, na direita, porém o jogo se desenvolve pela esquerda e ninguém dá o passe a ele, para o 11 atacar o espaço. Ele acaba recuando pela direita para receber e deixa Mendy ocupar aquele espaço mais avançado. 

Isso se repetiu em outros momentos do jogo. O espanhol se posicionava mais aberto a direita e, quando a bola estava na esquerda, uma inversão rápida de jogo buscando Asensio poderia funcionar. Isso porque o Shakhtar acompanhava com suas linhas o setor da bola. Por ser um time compacto, quando a bola estava na esquerda todo mundo ia para a esquerda e assim por diante. Faltou um pouco de atenção do Madrid a esse fator tático. 

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

Outro detalhe muito interessante de se analisar foi os erros do Madrid com e sem a bola. O time ucraniano estava ali, marcando, fechando os espaços, dificultando a criação, mas estava pronto para o bote. E quando deu foi certeiro para levar perigo ao gol de Courtois. O Shakhtar, mesmo com inúmeros desfalques, colocou a campo jogadores de qualidade e que tem velocidade, o time, armado para o contra ataque, foi mortal. Recuperava a bola e armava o ataque com muitos jogadores da primeira linha de 4 em velocidade. A transição defensiva do Real, muitas vezes lenta, não era suficiente para acompanhar os avanços dos jogadores rápidos. 

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)


Nessa imagem logo acima fica bem claro. O Real perde a bola e o time de laranja já tem 6 jogadores em progressão para o gol blanco. Esse lance em especifico acabou com boa defesa de Courtois, mas essa situação se repetiu em outros momentos do jogo. O Real subia suas linhas para atacar, mas quando perdia a bola em uma jogada ou toque errado, era lento na recomposição defensiva. O que acabou criando chances aos visitantes. 

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

O lance do primeiro gol do Shakhtar nos mostra também que faltou poder de marcação e intensidade ao Real. E quando digo poder de marcação, me refiro a alguém chegar junto, atacar a bola, matar o lance se preciso for. A jogada nasce nos zagueiros do time ucraniano, com uma marcação alta completamente sem sentido do Real, com jogadores andando e não atacando quem estava com a bola. Os homens de branco simplesmente olham os toques rápidos dos jogadores de laranja, que tem muitos méritos no lance, e a progressão deles ao gol. Ninguém corta e a bola morre nas redes. A defesa esteve perdida na maioria dos ataques adversários. 

Depois do primeiro gol o time de Madrid sentiu bastante. O Shakhtar, que já era mais perigoso, dominou o jogo e em outros dois lances matou o Real. Varane fez contra e Solomon fez o terceiro em infiltração sem ninguém acompanhando o habilidoso jovem atacante. Mais uma bagunça defensiva que começa lá no ataque. Não tem combate e o adversário consegue trocar passes com tranquilidade até o gol. 

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)

(Foto: Transmissão Facebook Watch / Esporte Interativo)


Nas imagens acima vemos o belo ataque do Shakhtar. Tetê, destaque do jogo, faz o facão e leva a marcação de Marcelo da direita para a esquerda do ataque, enquanto Solomon, que participa da jogada antes mesmo do gol vindo da esquerda, infiltra sem ninguém acompanhar. Ele recebe e quando a defesa chega já é tarde. Uma aula coletiva. 

O segundo tempo veio e Zidane colocou Benzema, Vini Jr e Kroos, que melhoraram o Real. Logo aos 9 minutos Modric fez um lindo gol e aos 14 Vini, que acabará de entrar, fez mais um depois de roubar a bola de Marlos na defesa. Ainda havia tempo de empatar, como de fato empatou nos acréscimos em chute de Valverde, mas que foi bem anulado por interferência do impedido Vinicius Júnior. 

Hoje, acima de tudo, faltou ao Real ser coletivo. Perceberam que os gols que descrevi foram de jogadas individuais? Pois bem, porque coletivamente hoje o Madrid não funcionou. O que se viu no Shakhtar foi um banho no Real. Esperou, atraiu o time merengue e quando deu o bote foi certeiro. É claro que também contou com uma péssima partida de alguns jogadores e um dia ruim para Zidane que mandou a campo um Real que não podia deixar de fora Kroos, Benzema e Vini. Ou que não deveria ter na lateral direita um lateral esquerdo. Claro que Marcelo é importante na fase ofensiva, tanto que no segundo tempo basicamente só se atacou por ali, mas "sacrificar" Mendy na direita, que ainda sim não comprometeu, não me parece certo. Sei que a lateral direita está em falta na equipe, mas até Nacho poderia ter dado uma maior proteção na direita, enquanto Mendy dava (proteção defensiva seu cabeça suja) na esquerda. 

Enfim, não basta apontar os erros, deve-se corrigi-los. Quem sou eu para criticar Zidane ou o time? Ninguém, apenas alguém que quer um Real forte e que não sofra derrotas quase que humilhantes para Shakhtar e Cádiz, com respeito a essas equipes. É hora de se parar e analisar o que se tem feito. Está na hora de mudar a postura e ter mais "cara" de Real Madrid. Um time que tem classe com a bola, mas que vira um leão sem ela. Vamos ver o que nos aguarda o futuro da temporada, afinal ela só começou. 


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